Aquele texto bem abstrato e que vai te convidar à uma conexão consigo mesmo

            O fundo do seu coração. Resolvi começar com essa frase solta, a fim de evocar alguma reflexão aí deste outro lado da tela. Você sabe o que tem lá no fundo? Estamos sendo tão bombardeados com uma infinidade de estímulos, que nossos pensamentos são, quase, incessantes. Com a bagunça de tanto pe(n)sar, você consegue escutar o que diz seu coração? [sim, isso é bem abstrato, mas a ideia é tentar sair um pouco do palpável, portanto, não há um jeito certo de fazer isso, apenas tente alguma conexão com as suas emoções e com este texto].

       Nós estamos vivendo um momento do mundo em que conseguimos realizar ou adquirir tudo com muita facilidade, basta digitar algumas coisas – geralmente na tela do celular ou do computador. Nossa interação com a tecnologia nos propicia comida, compras no geral, contato social e até sexo.

            Você já percebeu o quanto passar para música seguinte é a coisa mais fácil do mundo hoje em dia? Sou da época do toca-fitas, em que você tinha que apertar um botão e interromper depois de alguns segundos, se passasse demais, tinha que voltar tudo de novo. Dava tanto trabalho que era melhor ouvir a música completa até chegar naquela que você queria mesmo escutar. Meu pai é da época do disco de vinil, já manuseei aquilo e colocar aquela agulha na música seguinte era uma missão impossível [risos]. Agora pasmem: nos dias de hoje, eu consigo trocar de música pelo computador ou pelo celular apertando uma tecla, também dá para fazer isso através do relógio ou até mesmo pelo fone de ouvido. A dificuldade agora é ouvir uma música até o final [e você aí se queixando que a vida é difícil, hein?! risos].

       Somos a geração dos excessos. O número de filmes e séries disponível nos serviços de streamings é interminável, tanto é que isso nos deixou sem opção de escolha [a vida e seus paradoxos, não é mesmo?!]. A conexão constante com a mundo atual nos desconectou de nós. Estamos vivendo a vida como se tivéssemos que cumprir “o protocolo de sucesso”: ter uma profissão (de preferência uma de glamour), uma família, casa própria, carro e conforto [e um cachorro]. Não se sinta criticado, caso você vá em direção a isso. Não é este o ponto. O que quero que se pergunte é: o que te movimenta e motiva? Quais são as características que você espera encontrar nas pessoas com as quais convive? Você tem vivido de fato ou só seguido o fluxo da vida?

      A sociedade capitalista transformou a gente numa máquina programada para produzir e para se preocupar apenas com o resultado final do que foi feito [temos que aprender a olhar para o processo, minha gente, mas isso é assunto para outro texto]. Nós deixamos de ser pessoas e nos tornamos um número, um indicador, uma bonificação, um salário [interprete como KPI’s, para ficar bem corporativo, risos]

      Na era em que produtividade é a palavra do momento, temos sido incentivados a nos desafiar e a mudar nosso “mindset” [odeio essa expressão, desculpem, risos] em prol de algo que, em boa parte das vezes, não beneficiará à nós, mas atenderá a expectativa de outros [geralmente das organizações, mas a gente compra a ideia e entende que isso é nosso]. A relação de trabalho também é uma relação de troca e, tá tudo bem se você está sentindo que isso está ocorrendo de um jeito saudável. Mas, para isso, creio que seja importante estar conectado consigo mesmo. O mundo de hoje nos conecta com as necessidades dele e, muitas vezes, nos leva a uma desconexão pessoal.

           A vida anda tão doente, que pensamentos do tipo “sou um fracasso”; “não sou bom o suficiente”; “poderia ter sido de outra forma” são frequentes e assombram o cotidiano de muitas pessoas. Não é a toa que os índices de transtornos mentais estão cada vez maiores. Aliás, saiu um estudo recente que mostra que o Brasil é um dos países que mais sofre com depressão e ansiedade [bora começar a cuidar dessa qualidade de vida aí?].

           Quando você está sozinho, sem ninguém por perto, você gosta do que vê [não no espelho, mas lá no fundo de si]? Quando pensa na sua vida, sente orgulho da direção que ela tem seguido? Você tem caminhado na direção das coisas que realmente importam para você?

            Preencha-se daquilo que faz algum sentido para ti, do contrário, o vazio sempre será seu companheiro [sei que isso parece aquelas frasses de reunião de hynode e que é um clichêzão, mas tem muita realidade aqui]. Seja corajoso para se aproximar do que é valioso para você. E se porventura, ainda não tiver feito estas descobertas, desconecte-se um pouco do externo e busque uma conexão íntima com você [pode ser difícil, mas eu juro que vale a pena].

Sobre o autor:

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, teatro, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: alex@minutoterapia.com; Facebook ou Instagram.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: