Mais toque e menos touch: ‘os robôs somos nozes’

Quanto tempo você passa no Facebook ou no WhatsApp? Sabia que o Facebook possui 2,2 bilhões de usuários e o WhatsApp 1,5 bilhão¹? Pois é, é tanta gente que não dá para ter nem ideia da quantidade que isso representa num espaço físico (risos). Possivelmente você faz parte de uma dessas redes, imagino. Aliás, o impacto que possuem no nosso dia a dia é inegável.

Não acessá-las é quase estar à margem da sociedade. Quem não compartilha memes no Facebook ou não arranjou brigou por conta de política não está usanso direito (a propósito, #elenão risos). Enviar áudios infinitos desabafando aos amigos, compartilhar figurinhas (ou stickers, como preferirem) ou o gemidão do WhatsApp é só uma das muitas coisas que a gente faz nesse outro app. Para você ter ideia, diariamente mais de 65 bilhões de mensagens são enviadas por lá². A propósito, a finalidade de uso do app pode ser das mais diversas: grupo da família, da faculdade, para o crush, o namorado, a namorada, o esposo, esposa, amigos, amante e por aí vai.

Os números, do meu ponto de vista, são alarmantes e é quase desesperador. Não é a toa que o mundo anda cada vez mais ansioso e depressivo. Tornamo-nos tão sensíveis a rejeição que sofremos quando alguém visualiza e não responde, quando demoram a nos responder, quando temos poucas curtidas, comentários ou visualizações nas nossas publicações. A gente tá migrando do toque para o touch.

Já imaginou se pelo menos metade das suas conversas diárias, com pessoas queridas e especiais, acontecesse pessoalmente? Estou curioso para saber o que você imagina que isso te causaria: alegria, tristeza, ansiedade, preguiça, felicidade? [se você puder me contar nos comentários o que você pensou aqui e, depois, dizer como isso te afetou até o final do texto, vou gostar muito dessa interação contigo].

Agora quero propor uma nova reflexão: pense numa pessoa que você gosta da companhia, mas que não vê com tanta frequência. Pode ser amigo, companheirx, familiar, colega de trabalho, tanto faz, você decide… Agora, imagine que vocês finalmente se encontraram, mas estão impedidos de mexer no celular durante o encontro (nem fotos). Sobra algo para fazerem? [imagino que essa resposta será um “SIM”, mas quero que pense mais sobre este sim e sobre como é ficar algumas horas sem o celular e mais, se nas oportunidades que teve de fazer isso você conseguiu curtir a companhia da outra pessoa ali].

Sendo muito honesto, às vezes me sinto mais virtual do que real. Entendo e admito, que nem todos os laços são possíveis de acontecerem pessoalmente e, nesse sentindo, a internet ajuda a gente a matar um pouco da saudade, mas precisamos admitir que não estamos sabendo usá-la muito bem, pois há tantos encontros que poderiam acontecer cara a cara, porém acabam se eternizando e sendo mediados pela tela do celular.

Tem uma coisa que sempre me deixa incomodado quando acontece: sair com alguém que fica mexendo o tempo todo no celular, ao invés de interagir comigo. A mensagem que o outro transmite para mim é clara: “meu celular está mais interessante do que estar aqui contigo”. Talvez seja literal e dramático demais da minha parte, contudo, eu tô ali, em carne e osso, disposto para uma interação saudável, verdadeira e bem gostosa [você já passou por isso? você já pensou se faz isso com as pessoas?].

Por falar em interação gostosa, tem coisa melhor do que estar com alguém que ri junto, te olha nos olhos, te escuta, te conta coisas e é super real contigo? A gente fica o dia todo rindo de memes ou mandando risadas no WhatsApp [sendo que na maioria das vezes nem estamos rindo de verdade]. Tornamo-nos pessoas que possuem vínculos frágeis, com dificuldades de acreditar umas nas outras e que escondem o que sentem, pois temem o julgamento que farão da gente. É comum ouvir falar que estamos sendo substituídos por robôs, mas talvez os robôs sejamos nós [já pensou nisso? eu achei essa minha frase muito boa, então lê ela novamente para me dar aquela valorizada, vaaai risos].

Experimente viver a vida off-line. Isso não quer dizer que você deve deixar de utilizar as tecnologias, pelo contrário, elas estão aí para facilitar o nosso dia a dia, mas aprenda a usa-la a seu favor. Não se torne refém daquilo que foi feito para tornar sua vida melhor [hoje, elas estão acabando com a nossa saúde]. Pratique hábitos saudáveis: vá ler um livro, saia para tomar uma cerveja com aquele seu amigo. Aliás, use o WhatsApp agora para mandar uma mensagem para um amigo querido chamando ele para tomar algo, que tal? Bora viver a realidade? [eu mesmo estou escrevendo para um amigo que ficou no meu pensamento durante vários momentos deste texto. agora mesmo, vou convida-lo para uma breja, pratique você também!]

REFERÊNCIAS

¹ OLIVEIRA, F. Facebook chega a 127 milhões de usuários mensais no Brasil. Folha de São Paulo. São Paulo, 2018.

² JUNQUEIRA, D. Usuários enviam 65 bilhões de mensagens por dia pelo WhatsApp. Olhar Digital. São Paulo, 2018.

Sobre o autor:

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contato: facebook, instagram ou escreva um e-mail.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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