Ei, você pode aceitar as minhas vulnerabilidades? E as suas, você pode?

            O novo é algo muito louco, não é mesmo? Aquilo que desconhecemos, justamente por não saber como vai ser, dá um medo gigaaante! O paradoxal desta questão, é que nós só conseguimos saber o que há de novo, quando fazemos algo, quando seguimos em frente, quando agimos ou escolhemos. Eu sempre digo que não tem fórmula mágica, a única maneira de mudar aquilo que nos deixa desconfortáveis, é fazendo algo diferente, ainda que com muuuito medo, mas fazendo.

            Aliás, coragem é isso: coragem é fazer algo, mesmo sentindo muito medo (uma conhecida me escreveu isso num e-mail, recentemente, e concordo muito com ela). Criatividade é outra coisa que envolve riscos. Veja só: criar algo novo é iniciar alguma coisa sem saber se vai dar certo, sem saber o nível de aceitação. Dá medo, né? Sentir medo não é sinal de fraqueza ou de covardia. Sentir medo é humano.

            Durante a minha vida, tive uma relação com a vulnerabilidade que não foi das mais íntimas (na verdade, eu corria dela rs), mas que tenho investido em mudar isso. Assisti a um vídeo da Brené Brown, sobre vergonha, que me fez pensar um pouco a respeito. Normalmente quando vemos alguém se expondo e contando algo difícil sobre si, que nós não teríamos coragem de fazer, tendemos a achar corajoso e admirar, mas quando nos imaginamos fazendo o mesmo, nos sentimos fracos e patéticos. Agora eu te pergunto: por quê?

            Assumir uma posição vulnerável não é nada fácil. Nem sempre a reação do outro é compassiva e compreensiva. Por vezes, é agressiva. Mas eu tenho me esforçado para correr esses riscos, mesmo com as dificuldades (tem valido a pena, acreditem!). Tenho aceitado que sentir medo faz parte e que, mesmo inseguro e desconfortável, sigo fazendo. Começo a perceber que talvez isso sempre esteja por aqui e perceber isso me faz ver que está tudo bem. E, se estou seguindo, então, imagino que está de fato tudo bem (concordam?). Ser gentil a si mesmo é mais uma das coisas que tenho aprendido e praticado. Experimente!

            Já senti medos tão grandes, que praticamente me sentia imobilizado. Aliás, o medo faz isso com a gente: nos paralisa! A gente simplesmente não consegue decidir por nada, é como se nos tornássemos espectadores da nossa própria vida (só que de um filme não tão legal, um terror ou um drama daqueles bem tristes). É claro que eu entendo as dificuldades do agir quando se sente muito medo, mas precisamos admitir que não fazer nada, também é uma escolha e, como todas as outras, tem as suas consequências (lide com as suas).

       Vamos tentar um exercício? Pense aí numa coisa grandiosa que esteja te assustando. Pode ser chamar aquel@ crush para sair, mudar de emprego, encontrar um novo emprego, entrar na faculdade, sair de casa ou o que for… Pensa e tente se concentrar em todo o medo que essa coisa te dá. Essa coisa que você está pensando te causa algo físico? Tipo um aperto? Uma angústia? Se sim, tente localizar em que parte do seu corpo esse desconforto acontece (caso não sinta nada físico, desconsidere essa parte J).. Agora, “vá para o meio” do seu pensamento, “para o meio” do seu desconforto, do seu aperto, da sua angústia. Imagine-se lá, sentado (Você vai precisar se concentrar no aqui, agora e nisso que você está sentindo. Tente. Mal não vai fazer). Assim que chegar lá, passe um tempo, aceite o que vier.

       Aceite o medo e vamos em frente. Está tudo bem. Só vamos! (se quiser deixar nos comentários ou me escrever por e-mail para contar um pouco de como foi para você, ficarei feliz em ler J)

Sobre o autor:

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contato: alex@minutoterapia.com

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

4 comentários

    1. Obrigado pelo feedback! O objetivo sempre é compartilhar um pouquinho das minhas reflexões e torcer para que alguém as entenda e se sinta atingido também rsrs.. Feliz de saber que ele te alcançou de algum jeito! ❤

      Um abraço!

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  1. Adorei o texto 😍😍. Tantas são as oportunidades que eu perco com o medo do desconhecido, fazendo voltar velha rotina e depois desejar mudanças.
    Arrasou mais uma vez Alex, parabéns 😃😃

    Curtido por 1 pessoa

    1. É, eu te entendo. Eu também ainda perco várias. Não é fácil enfrentar o medo. Mas tenho achado aquele “e se” que fica na cabeça muito pior, então, meu exercício atual tem sido fazer, mesmo sentindo medo enquanto faço.

      Muito obrigado pelo feedback! Quando o elogio veio de um escritor, a gente fica até emocionado 💛

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