A famigerada Aceitação: a dor e a delícia de ser o que é…

            Das certezas que tinha quando era mais novo, nenhuma delas se aproximava da vida que tenho hoje. A propósito, a vida nos surpreende de muitas maneiras. Só porque algo não aconteceu do jeito que você esperava, não significa que seu mundo desabou ou que sua vida perdeu o sentido [embora possa parecer, no momento em que o vendaval acontece]. A maneira como você enxerga os acontecimentos que te atingem diz muito sobre ti e, também, sobre como você passará por eles, pelas adversidades do dia a dia e pelas mudanças que, inevitavelmente, vão te alcançar.

            Hoje em dia, sobra pouco tempo para muita coisa. No geral, a gente vive para cumprir tarefas. Muitos de vocês – e me incluo nisso – não estão vivendo algo grandioso, esplendoroso como aquilo que imaginamos quando éramos mais jovens. Essa explosão de gloriosidade é pouco comum. Aceite a normalidade dos seus dias e descubra como ser feliz com as coisas simples. Crie laços! Estranhamente, a rotina me faz feliz, me tranquiliza e confere um pouco de segurança ao meu cotidiano tão incerto. Por vezes nem há vida pela minha própria vida, mas sempre há pela fala do outro [entendedores, entenderão. risos].

            Todos nós, em algum grau, somos fracos. Às vezes nem sequer reconhecemos a nossa “kriptonita”, mas de um jeito ou de outro, nós acabamos sentindo alguma coisa. Cada pessoa tem um jeito de lidar com a dor e, há alguns que decidem não lidar, meio que jogam para debaixo do tapete, sabe? Muitas vezes eu desejei muito ser capaz de não sentir nada. Inclusive, sei que como eu, muitas pessoas também já desejaram não sentir nada. Hoje em dia, apesar de toda a dor, ainda que eu pudesse não sentir, esta já não seria uma possibilidade para mim, para minha rotina. Querer não sentir seria um desrespeito com a minha história e com todo o caminho que percorri, até porque tudo o que chorei e sofri, de algum jeito, também me trouxe até aqui.

            E foi de tanto sentir, que me tornei um “sentidor profissional” [risos]. Às vezes sinto tanto, que tenho a impressão de sentir por mim e pelo outro. Mas, veja só: aprendi que sentir demasiadamente não é de todo o ruim, às vezes sinto uma sensação incrível, especialmente quando a felicidade me alcança; é como se ela me tirasse para dançar e saísse rodopiando alegremente pelas ruas junto comigo. Contudo, às vezes dói como se algo estivesse sendo roubado de mim, é como se me esfaqueassem e eu ficasse assistindo toda esperança e alegria se esvair para fora do meu eu [bem Maria do Bairro, ou seja: novela mexicana, eu sei].

            Pouco a pouco vou me convencendo de que o segredo da felicidade está naquilo que estabelecemos com o outro. E, veja bem, não é necessariamente num outro amoroso. Estamos falando de pessoas [amigos, familiares, amores também, é claro]. Inclusive, talvez seja por isso que eu me sinta feliz de maneira fácil e simples: tenho boas e verdadeiras relações.

            Os estudos já têm apontado que a qualidade das nossas relações interpessoais está diretamente relacionada com o sentimento de felicidade. E isso faz todo sentido, veja: na medida em que permitimos mostrar o que somos para outra pessoa, damos a chance de que gostem do que somos e isso contribui para nosso próprio processo de aceitação [o que facilita MUITO a vida]. Na medida em que você permite que alguém cuide de você, você aprende que as pessoas podem gostar do seu jeito de ser [e você também consegue ir aceitando as pessoas e suas imperfeições]. Crie laços, não faça planos com alguém e saia correndo por receio de se prejudicar, ouse viver, tenha amigos, amores ou o que for. Use as mãos para tocar outras pessoas e não apenas a tela do celular. Experimente!

 

Sobre o autor:

Alex Valério é Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. Colunista no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

um comentário

  1. Olá Alex!
    Como sempre muito boa a escolha e muito atual tambem para o nosso dia dia cada vez mais acelerado e a sensação de que o tempo está mais curto, mas como vc mencionou, só depende da maneira como encararmos os desafios e como nos relacionarmos com as pessoas a nossa volta.
    Parabéns !

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: