Paradoxalmente a vida é imprevisível, mas segue todo dia sempre igual

            Os dias são tão confusos e complexos que, de algum jeito, às vezes é difícil dar conta de tudo o que temos – ou deveríamos ter – de fazer (deveríamos?). Socialmente somos cobrados por sentir amor próprio, mas estamos inseridos numa sociedade que, cada vez mais, nos lança em abismos existenciais e dificulta muito a nossa forma de viver.

            É impressionante como a globalização foi capaz de nos permitir acessar informações de maneira rápida e instantânea e como isso superficializou um pouco as coisas que, antigamente, eram possíveis por conta da simplicidade com que aconteciam. É claro que os dias atuais são repletos de progressos, mas ao mesmo tempo, também é vazio e superficial.

            Há quem diga que o celular é o novo cigarro desta geração. Alguns contam que o Instagram é a rede social que mais contribui com a depressão. Algumas pesquisas apontam que as interações no Facebook, apesar de simularem a vida real, empobrecem as habilidades sociais, prejudicando as relações que acontecem face a face. Se o avanço tecnológico é benéfico para nossas vidas, por que é que ele tem contribuído com o nosso adoecimento?

            Somos incentivados a ser o que somos, mas ao mesmo tempo, quando agimos dizendo ou fazendo aquilo que gostaríamos, as pessoas nos repreendem, deixam de falar conosco ou dizem que o nosso comportamento não é socialmente aceito.

            A música nos ensinou que “é impossível ser feliz sozinho” e passamos a buscar enlouquecidamente alguém que nos complete. Mas porque não acreditamos na possibilidade de não precisar de outra pessoa para estar completo e feliz?

            Na atual geração, apps de relacionamento, como o Tinder por exemplo, são utilizados por aqueles que querem encontrar alguém para partilhar parte dos dias, mas ao mesmo tempo, a realidade é que a cama é normalmente o que acaba sendo compartilhado, por uma noite – às vezes nem isso –, é claro.

            Na época em que o amor romântico é supervalorizado e todo mundo espera encontrar o “mozão”, por que é tão difícil encontrar alguém, se há tanta gente querendo ser o alguém de alguém?

            Tentamos com todas as nossas forças viver sem sofrimento, mas o esforço que fazemos para não sentir algo é tremendamente angustiante e muito sofrido. Portanto, se é assim, tentar não sofrer seria apenas mais uma forma de sofrimento?

            Ser feliz o tempo todo é irreal. Sentimos medo, raiva, tristeza, inveja, angústia e uma porção de tantos outros sentimentos. Tudo aquilo que sentimos é completamente compreensível quando consideramos que somos humanos. Aliás, se somos humanos, qual a razão de viver como uma máquina que não questiona, não pensa, não sente e que segue agindo da maneira como esperam que ela aja?

Sobre o autor:

Alex Valério é Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É redator no Portal Comporte-se, colunista no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais. Está localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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