Essa semana vou inserir a felicidade na agenda (Acorda, Alice!)

            Essa semana estou com vontade de me fazer bem. Em algum momento, destes próximos sete dias, quero me priorizar, cuidar de mim e me dar um carinho. Às vezes, quando penso na vida que levo, sinto que me tornei um refém do trabalho e vivo para ser produtivo para os outros – não que isso não me faça bem, mas também quero me fazer bem, sendo só eu comigo mesmo, sabem?

            Conheço algumas pessoas – e, talvez, eu até possa me enquadrar – que são severas demais consigo mesmas. Outras, tentam agarrar o mundo, sem se dar conta do tamanho dos braços que possuem. A propósito, quantas vezes você já desejou que o dia tivesse mais horas do que as 24 que ele nos disponibiliza? Ao longo destes anos, aprendi que boa parte das coisas que nos desdobramos para finalizar num dia, não causaria prejuízos se fossem fracionadas nos dias anteriores, ou então, concluída no dia seguinte (talvez a pressão seja de um outro que está, hierarquicamente, acima de nós, mas também precisamos sinalizar nossos limites e exigir algum respeito, do contrário, a coisa se mantém, com uma chance alta de se agravar).

            Talvez, considerando a maneira como o mundo está hoje, não seja mais tão comum rotinas “humanas” e que com uma qualidade de vida invejável. Mas, sendo adaptável, como sou, posso encontrar formas de ser feliz nessa selva – corrida – de pedras. Com isso, que tal programarmos algum tempo para felicidade? Isso, a minha proposta é que a felicidade seja incluída na agenda.

            Separe, algum horário, em algum dia da semana, para que seja possível não pensar nas coisas que você precisa fazer por obrigação. Marque uma cerveja com um amigo, um café com aquele crush especial, uma ligação para alguém que te faz falta; ou se permita comer aquele pedaço de pudim que você tanto se priva, mas que te faz tão bem. Seja qual for a decisão, escolha algo que lhe fará bem.

            Alguns podem pensar que esse tipo de felicidade é superficial, programada e pouco espontânea. Honestamente, não me importa como a qualificaremos, mas me sentir feliz é um compromisso que eu gosto – e preciso – ter comigo mesmo. Aliás, das diversas coisas que eu costumo negligenciar, esta é, possivelmente, uma delas. Se só der para ser feliz programando felicidades, minha agenda vai, cada vez mais, se abarrotar de eventos felizes.

            Experimente fazer, comece a fazer algo que você gosta. Aliás, façamos juntos, pense em alguma coisa que você curte, mas que não tem feito por conta do tempo que tem sido escasso. Agora, encaixe um dia, um horário e faça o possível para concretizar. Talvez, com o cansaço do dia a dia, seja pouco estimulante tentar se esforçar a algo que não está entre as obrigações, mas se não for assim, talvez não seja de outro jeito. Aceitar, algumas vezes, é nossa única alternativa (você pode, certamente, mudar a rotina e jogar tudo para o alto, mas para muitos de nós, esta não é uma possibilidade).

            Eu gostaria de poder processar a Disney e os diretores hollywoodianos, por conta do estrago que causaram na minha vida – e na sociedade como um todo, né?! (risos). A vida, definitivamente, não é como nos filmes. Aqui, no mundo real, a gente precisa aprender a se priorizar, a respeitar o que sente e, também, a entender que nem tudo o que nos falam é como é. A felicidade não vem de encontro a nós e não nos é jogada nos braços. Acorda aí, Alice (isso, não faça a Alice e fique achando que você está no país das maravilhas, porque você não está! rs…)! Não que seja fácil, mas também não é impossível. Portanto, para começarmos, trate de marcar um dia, um momento ou um instante que seja, agende uma hora para ser feliz.

Sobre o autor:

Alex Valério é especializando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É redator no Portal Comporte-se, colunista no Psicologia Acessível, no Educa2 e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais. Está localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Além disso, oferece orientação psicológica através do PsicoOnline. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

 

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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