A pequena parte do universo que ocupo é, também, parte do que sou

     É curioso como lamentamos, excessivamente, do fato da vida não ser só feita de “flores”, aliás, ouso dizer que se fosse, nós continuaríamos não valorizando as coisas boas que nos acontecem e, possivelmente, arrumaríamos outros motivos para nos queixar.

     Normalmente, sentimentos que se opõem andam lado a lado. Um clássico exemplo disso, é o amor e o ódio. Para que um, se torne o outro, basta um passo “errado” (confesso que não gosto de adjetivar as coisas como “certo” ou “errado”, até porque, quem é que estabelece o certo e o errado?). Somos pessoas e, como humanos que somos, temos o direito de sentir muitas coisas. Uma das coisas que me conforta e alegra, é saber que a vida não é só feita de aspectos negativos. Prefiro pensar que, da mesma maneira em que há coisas “ruins”, também há coisas “boas”. Portanto, se a tristeza vem, a felicidade também vem.

     Viver nos dias de hoje é, como eu costumo dizer, uma tarefa bastante difícil. A vida tem nos exigido tantas coisas, que até se assemelha com aquelas vagas de emprego super criteriosas, sabe? É necessário ser bonito, bem sucedido, ter um corpo definido, um sorriso perfeito, os cabelos lisos, ser heterossexual e por aí vai. Além de tudo isso, você também precisa de um amor. Muitas pessoas passam mais da metade da vida esperando por alguém, sem saber se essa pessoa aparecerá e, pior ainda, sem ter certeza sequer da existência dela.

    Talvez a vida seja mais fácil para pessoas que se enquadrem ao estereótipo mencionado acima. Já para mim e para muitos de vocês, ela tem sido cruel e imprevisível (mas também tem sido boa em diversos aspectos, reconheça). Precisamos aprender a nos bastar. Vivemos querendo ser suficiente para alguém, mas se não somos suficientes para nós, como poderemos ser para outro alguém?

     Confesso que gosto da sensação de ser especial. E, neste caso, não estou me referindo a uma história romântica. Quero que pensem naquela sensação gostosa que uma pessoa é capaz de despertar em nós, só por demonstrar o quanto somos – ou nos tornamos – especiais para elas. Adoraria que a vida pudesse ser repleta dessa felicidade sincera.

     Tenho investido em relações sinceras, próximas e calorosas. De novo, não estou me referindo a nada amoroso. Mas, me refiro a capacidade de ser humano e de seguir amando. É difícil mudar o mundo – talvez seja impossível –, mas podemos contribuir para tornar diferente a pequena parte do universo da qual somos parte. Não é fácil e, menos ainda, simples, mas eu acredito que seja possível.

     Quero mais verdade no olhar, careta no retrato, covinhas no sorriso e simplicidade no gesto. Quero ser capaz de mostrar ao outro, o quanto ele também é especial e precioso para mim. Quero poder acarinhar, sem, necessariamente, precisar tocar a pele, mas se necessário for, também quero poder fazê-lo.

     Gostaria que as nossas crianças pudessem crescer podendo falar dos sentimentos que sentem, sendo permitido que elas possam compartilhar suas felicidades e tristezas. Talvez, dessa forma, seja possível viver num lugar em que a sinceridade é algo real. Precisamos de um mundo, que nos permita contar ao outro, a forma como nos sentimos, sem que isso seja julgado como sinônimo de fraqueza.

     Há momentos na vida, em que é necessário olhar para aquilo que estamos nos tornando, para aprender a reconhecer e a gostar do que vemos. Sentir-se só, é uma maneira de dizer a si mesmo, o quanto estamos precisando de nós. É inútil querer se completar com outro, é importante aprender a ser pleno com o que temos e com o que somos. Poderemos mudar o mundo que nos rodeia, na medida em que encaramos as nossas verdades e a espalhamos aos demais. Espalhe amor e “amoreie-se”.

 

Sobre o autor:

Alex Valério é pós-graduando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É redator no Comporte-se, colunista no Psicologia Acessível, no Educa2 e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais. Está localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Além disso, oferece orientação psicológica através do PsicoOnline. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

 

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

um comentário

  1. Demorei a desfrutar dessa matéria maravilhosa.
    Mas quero deixar aqui registrado minha admiração pelos textos e pela pessoa que vc é é hj um profissional que está em busca de ser cada vez melhor.
    Obrigada por partilhar
    Bjs

    Curtir

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