Há verdades que não são nossas e há um passado que passou

     Às vezes parece que vivemos a vida, o tempo todo, parafraseando Belchior. Parece que agimos como se tudo fosse proibido e, no meio de tanta proibição, sentir também foi condenado. Eu gostaria de poder dizer que tudo é permitido. Mas, será que não é? (brevíssima referência: Apenas um rapaz latino americano)

     Muitas pessoas tem se acomodado com aquilo que incomoda, porque se reinventar dá trabalho e “dói por dentro”. Há muitos que se identificam, mas não se posicionam. Aliás, em nosso país temos feito isso com tudo, não é mesmo? A política está um caos, as relações humanas caóticas e o respeito ao próximo… Desse aí prefiro nem falar. Parece que a nação se tornou narcísica e egocêntrica.

     Essa semana, no dia da votação na câmara dos deputados, fiquei pensando que há milhões de brasileiros e poucos políticos (perto da quantidade de pessoas que somos, são poucos, perto do que fazem, talvez sejam muitos). Como é possível que um pequeno grupo de pessoas nos faça tão mal? Depois que pensei nisso, fiquei pensando que, possivelmente, deixamos que outras pessoas, num outro contexto, façam isso conosco a vida inteira. Somos tantos, mas quando me deparo com situações como essas, parecemos tão poucos. Já parou para pensar que somos tantos, mas mesmo sendo muitos, às vezes sentimos que somos só nós?

     Constantemente fico me perguntando sobre esse complexo de solidão que, vira e mexe, se instala em nós. Talvez isso ocorra por conta dessa cultura insana que nos ensina que precisamos amar e ser amados. Errado é viver para alcançar as expectativas sociais, mas nunca descobrir quais são as nossas (achei meio piegas, mas é real, risos).

     Deveríamos, em algum momento da vida, aprender a seguir em frente, a ir adiante, a saber que a vida tira, mas também pode nos dar. A capacidade de auto-sabotagem parece mais uma herança genética, do que algo que aprendemos ao longo da nossa história (precisamos aprender, também, que o que foi, não precisa ficar para sempre, você pode aprender coisas novas, é “aquele lance” de se reinventar).

     Da eternidade que tanto pregam e que é tão questionável, percebo que muitas pessoas acabam nem sabendo o que sentem. Há verdades que não são nossas, mas de algum outro que as forçou em nós. Às vezes não nos enxergamos por nossos próprios olhos, mas pelo dos outros. Ultimamente, pelos olhos de quem você tem se visto?

 

Sobre o autor:

Alex Valério é pós-graduando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É colunista no Educa2, no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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