Junto a todo mundo, mas perto de ninguém ¹

     Sorrir, nem sempre significa ser o que parece. O sorriso pode ter muitos significados e, portanto, muitas funções. Em alguns casos, é só resultado da contração dos músculos labiais (para entender isso, pense na quantidade de vezes em que você esboçou um sorriso sem querer sorrir). Em nossas vidas, há muita coisa que aparenta ter uma forma, mas é aquela velha história de julgar o livro pela capa, sabem?

     Estima-se que há 7 bilhões de pessoas no mundo. É tanta gente que eu não consigo imaginar o quanto isso representa em quantidade. Com tantos outros humanos por aí, como podemos nos sentir tão solitários? Há vazios que se revelam como um buraco negro no âmago do nosso ser. Há solidões que não entendemos, só sabemos que ela existe e nos acompanha por onde andamos.

     A propósito, há solidões e solitários. Há quem tenha tudo e sinta como se não tivesse nada, existe o inverso disso e, há também, quem não tem nada e nem ninguém (não se trata da solidão amorosa, mas da completa e total ausência de outras pessoas). Não tem receita mágica para lidar com o fato de ser sozinho. O melhor caminho, talvez, seja buscar as respostas do seu isolamento. Tente identificar, através de sua história de vida, em que momento você foi conduzido para essa condição atual (como fazer isso? Terapia sempre ajuda!).

     É difícil compreender o que nos faz sentir tão só. Às vezes, passamos horas ou até mesmo dias, sem pensar a respeito. Há momentos em que nos rodeamos por pessoas, nos atolamos no trabalho ou imaginamos ter encontrado alguém especial. Mesmo não percebendo, ficamos felizes por encontrar alguma coisa que preencha um pouco do vazio constante que sentimos. Mas, como tudo na vida, esses momentos podem ser temporários e breves; e quando o são, parece que é apenas uma confirmação do fracasso que somos, não é mesmo? (isso não significa que tem de ser assim para sempre!)

     Normalmente, quando somos acometidos por nossa costumeira solidão, temos a impressão de que, independente do que façamos, sempre estaremos condenados a ela. Há uma linha tênue entre: não ter ninguém e se afastar – ou ser afastado – de outras pessoas (qual é a sua?).

     Cada um de nós tem uma história e um motivo para se comportar da forma como hoje se comporta. Cada história carrega suas particularidades e especificidades. Um bom começo é tentar respeitar a si mesmo e o sentimento que te afeta. Passamos tempo demais nos questionando ou nos condenando e isso não ajuda, pelo contrário, isso só agrava nossa própria condição.

     Faça as pazes consigo. Respeite-se. Reconheça que você tem algum valor (e, apesar de bem piegas, essa pode ser a parte mais difícil). Amar-se, apesar de ser pregado por aí e divulgado aos quatro cantos, não é algo fácil, ainda mais considerando o mundo em que vivemos hoje, pelo contrário, tem sido bastante fácil deixar de gostar de si próprio.

     Tente estabelecer laços. Queira ou não: nenhum homem é uma ilha. Quando passamos tempo demais sendo nossa única companhia, nos tornamos um pouco intolerante ao outro. Logo, quando alguém nos desagrada, ainda que com algo pequeno, costumamos nos afastar, antes que uma decepção maior aconteça e a ferida aberta se torne ainda mais grave (aliás, toda vez que isso acontece, você sente que isso confirma a predestinação a ser sozinho, não é?).

     Há sorrisos que escondem medos, tristezas, anseios e tantas outras sensações desconfortáveis. A dor que sentimos é verdadeira, mas não é eterna. Seja flexível com quem você é. Aceite suas limitações, reconheça suas inabilidades e tente romper com as verdades que só são verdades para você. Não ter uma família, não ter amigos ou não ter um amor, não significa que essa será sua sina. É possível recomeçar e reconstruir. Reinvente-se!

¹ O título deste texto foi retirado da aula do Prof Roberto Banaco, ministrada na última sexta-feira, 07/06/2017, no curso de Terapia Comportamental da USP.

Sobre o autor:

Alex Valério é especializando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É colunista no Educa2, no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contato: facebook.com/ominutoterapia.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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