No saldo da vida: mais um dia seria, na verdade, menos um dia?

     Os dias estão passando cada vez mais rápido. Quando eu era mais jovem, não entendia quando os mais velhos diziam que os anos voavam depois dos 20. Hoje eu entendo. Na medida em que envelhecemos, nos tornamos responsáveis por uma série de coisas, inclusive, por nós mesmos. Se você tivesse que pensar em como você era, há uns três anos atrás, diga: onde estava? Hoje, o lugar em que você está, é onde você queria estar?

     A vida muda tanto a gente que, ultimamente, mal tenho tido tempo para me acostumar com o resultado de quem sou, quando vejo, já me tornei outro e sigo nessa reinvenção constante (aliás, minha terapeuta é quase uma santa por me ajudar nessa tarefa, risos). Escrevendo esse texto, me lembrei de uma época da minha vida em que lamentei e critiquei todos os que mudavam e deixavam de ser quem eram (sim, eu achava que mudar era opcional, pobre de mim).

     Hoje, refletindo um pouco sobre isso, minha frustração se dava porque, naquela época, minha vida era tão monótona que não havia nada para ser mudado (era um adolescente desocupado e sustentado pelo pai, sem nenhum envolvimento político ou social). Prometi que seria sempre o mesmo, que jamais mudaria, mas veja só, essa é uma das muitas promessas que não cumpri, mas estou feliz por não ser o mesmo de antigamente. Manter-se na mesma é estacionar e, quem se acomoda, pode ser multado por ficar parado em local proibido (até porque, considerando a velocidade em que as coisas mudam, o que hoje é permitido, amanhã é condenado, portanto, cuidado!).

     Você já sentiu que tudo está passando mais rápido do que deveria? Já se perguntou como seriam as coisas, se algo na sua vida tivesse sido diferente? Já se perguntou se uma escolha, depois de feita, foi a melhor decisão para você? O difícil das escolhas é que elas sempre nos fazem perder algo.

     É por isso que mudar é tão difícil. Abandonar o conforto daquilo que conhecemos e encarar o desconhecido de uma vida de incertezas não é fácil. Mas, apesar de não ser fácil, às vezes é necessário. Uma parcela das tristezas da nossa vida se refere a nossa incapacidade de escolher. É como se tivéssemos sido paralisados, com medo de mover uma peça errada e perder o jogo todo. Mas, viver é isso. É aceitar que todo dia de vida, é um dia a menos de uma existência finita (isso mesmo, sem o “in”, por que viver não é eterno).

     Tem dias que fico pensando se sou o que gostaria de ser ou se acabo me tornando aquilo que o mundo exige de nós. A sociedade – cada vez mais capitalista – nos diz que temos de trabalhar muito para ganhar algum dinheiro, porque é graças a ele que poderemos comprar aquelas coisas que todos deveriam ter. Mas, será que tudo isso é necessário ou é apenas uma ferramenta ilusória, inventada para que a humanidade não perca a motivação e continue na busca da felicidade? A propósito, para você, o que é felicidade?

     Não importa se sou triste, feliz ou qualquer outra coisa. Tudo é ponto de vista, tudo tem mil lados e cada um enxerga da maneira que lhe convém. A perfeição tem sido apenas uma definição para: Faça melhor! O quanto é preciso para se sentir completo? Qual é a definição mais próxima de felicidade? Você é feliz? Você está feliz? Desestacione!

 

Sobre o autor:

Alex Valério é especializando em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. Contatos: alex@minutoterapia.com ou facebook.com/ominutoterapia

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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