Faça uma pausa

     Leve.

     É como eu gostaria de estar neste momento. Livre de tantos pensamentos, de tantos medos, dos receios. Vamos tentar um exercício? Tanto você, leitor, quanto eu, escritor. Aceita?

     Se você tiver condições de colocar uma música que te acalme, coloque. Se não der, sem problemas, seguimos assim. Não tenha pressa em concluir a leitura. Vamos, devagar, a partir, de agora, ok? As vírgulas, neste momento, são para auxiliá-lo no ritmo, do texto. Para que você, readapte e possa desacelerar, reinventar-se neste momento.

     Inspire, pelo nariz, profunda e calmamente. Segure o ar por três segundos. Agora, solte-o pela boca, lentamente. Faça isso duas ou três vezes. Sinta o ar saindo dos seus pulmões, ouça a música, ou então, aproveite o silêncio. Se estiver em um local em que há muito barulho, selecione um som neste barulhão e tente focar-se apenas nele. Feche os olhos por alguns instantes e não pense em nada. Permita-se um minuto de ócio completo, de improdutividade. Desligue-se!

     Pronto. Vamos voltando gradativamente. Pouco a pouco, volte a perceber as cores, os sons, as letras. Sinta seu pensamento a todo vapor novamente. Tente trazer a tona uma lembrança bem feliz. Vamos, pense. Se tivesse que pensar em uma lembrança feliz, seja recente ou antiga. Qual seria? Como era lá? É uma lembrança grandiosa ou algo rotineiro? Você poderia repeti-la novamente? O que há de diferente entre quem você era, na época da lembrança, para quem você é neste minuto?

     O texto dessa semana não pretende refletir a respeito da vida, das questões sociais, das nossas dificuldades comportamentais. Hoje fica o desejo de leveza e a torcida por uma semana que tenha, em algum grau, um pouco de tranquilidade.

     Aliás, quero que leve algo deste texto para a próxima semana. Minha sugestão é que você carregue as vírgulas. Isso mesmo, carregue um pouco do excesso de vírgulas, durante seus dias. Imagino que seu cotidiano, assim como o meu, seja uma espécie de corrida, daquelas em que a linha de chegada não chega nunca. Na correria do dia a dia, ignoramos os nossos limites, aliás, temos sido ensinados que superá-los é a necessidade e o que nos diferencia e faz melhor. Melhor para quem?

     A vida está desgovernada. Perdeu as vírgulas, o ponto e vírgula. Ponto final é raridade para muitos, às vezes tentamos abraçar o mundo e, de tanto carregar, o peso acaba pesando demais e tudo vai ficando incompleto, mal feito. E, com isso, nós ficamos como? Muitas vezes nos sentimos insatisfeitos por não conseguir fazer tudo com a perfeição que gostaríamos. Acabamos tristes e cansados. Um cansaço que ultrapassa nossa condição física e nos acomete de um jeito que nem conseguimos descrever. Dê um tempo, use mais vírgulas e, se necessário, coloque alguns pontos finais naquilo que precisa findar.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

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