A crueldade do mundo somos nós?

Você já reparou que o mundo está cada vez mais infeliz? Estamos nos tornando insensíveis. A nossa dor é sempre maior e mais severa que a do colega. Nossa prioridade é sempre a mais urgente. As pessoas são descartadas na mesma velocidade em que, no dia anterior, diziam “eu te amo”. Aliás, a expressão que antes era tão preciosa, popularizou-se feito o bom-dia.

A verdade é que ultimamente não está fácil para ninguém. Vou contar um segredo que todo mundo sabe, mas que nem sempre pensamos a respeito: o mundo é cruel. Quando digo “o mundo”, quero dizer as pessoas que nele habitam. E, bem, as pessoas somos nós, não é mesmo?

    Parece que estamos submetidos a um processo de normatização do ser humano. Para ser aceito socialmente, você precisa seguir o “manual social” que, apesar de parecer descabido, não duvide se encontrar um nas livrarias. Se você quiser ser considerado atraente, precisa ser como o “padrãozinho” divulgado nas mídias (nada contra quem é padrãozinho). Os otimistas sempre dizem que, com o tempo, as coisas melhoram, mas parece que só tem piorado (a intenção não é ser pessimista, mas realista). Tem sido difícil se enquadrar em tudo. Muitos de nós, desprovidos de dinheiro ou de habilidades sociais altamente desenvolvidas, acabamos sofrendo um pouco mais com a necessidade de adaptação.

Você certamente conhece alguém que está fora do peso e que vive em luta com a balança. Pois bem, apesar de muitos não acreditarem, ser gordo é estar constantemente sendo atacado. Parece que até as lojas de roupas vivem contra aqueles que estão fora do peso. Nas lojas, os tamanhos que, normalmente, costumavam ser grandes, parecem ter encolhido. Aliás, na cultura do fast food, deveria ser proibido a redução dos números e a vendagem de roupas plus size não poderia ser difícil de encontrar.

Para pessoas com alguns quilos a mais, ser magro é uma das melhores maravilhas do mundo. “Magros não tem problemas e são mais desejados”. Essa é quase uma regra escrita a brasa na testa das pessoas que lutam contra o peso. Agora, pasmem: se um magro se queixa de ser magro, os gordinhos vão dizer que não pode. Só pode reclamar quem pesa mais.

A grande verdade é que hoje em dia não é preciso estar fora do peso para lutar com a balança, há uma veneração pela “barriga tanquinho”, os corpos se tornaram a razão da vida de muitos. Temos nos tornado, cada dia mais, esculturas ambulantes, reféns do nosso próprio corpo. A sociedade pouco se preocupa com “Quem você é”, mas sim em “Como você é”.

Agora, vejam que curioso. Há insatisfeitos entre gordos e magros. Magros não podem só ser magros, precisam ter um corpo definido. Gordos não devem ser gordos, precisam se tornar magros e, depois de emagrecer, precisam definir a barriga, a coxa, tudo! Em resumo, funciona assim: se for magro, as pessoas nos condenam pela magreza excessiva. Se for gordo, a condenação se dá devido a obesidade. Os gordos acham que os magros que se queixam do peso são hipócritas, os magros acham a preocupação de quem está fora do peso exagerada. Façam suas apostas, aquele que sofrer mais, vence!

É o que estou dizendo, minha gente. Hoje em dia está difícil. Não está bom para quem é magro, não está bom para quem é gordo. Se duvidar, até para os “padrõezinhos” não está bom. A verdade é que sempre vão nos cobrar daquilo que não temos. O pior é que, possivelmente, nós vamos entrar na dança e nos cobrar também. Mas não para por aí, além de sermos cobrados, de nos cobrar, também iremos cobrar os demais (olha só a salada que isso está virando).

Somos pessoas de carne e osso. Com tristezas, sonhos, alegrias, conquistas, derrotas e cobranças – não só financeiras. Para ser feliz é necessário pedir permissão. A felicidade entrou em extinção. Quando sentimos uma pontinha de alegria, já nos preparamos para aguardar o momento em que as coisas vão começar a deixar de dar certo. Ser feliz, apesar de desejado, não é permitido.

Temo que, talvez, seja um pouco tarde para fazermos algo pelo mundo, entretanto, acredito que não é tarde para fazer algo por si. Não seja, você também, alguém triste, amargurado e insensível. Eu não estou dizendo que você não pode reconhecer seu sofrimento, você deve. Mas, não diminua o sofrimento alheio, porque, para você, aquilo que chateia o outro é uma bobagem. Quem sofre por algo, nunca sofre por uma bobagem.

Escrito por Alex Valério

Alex Valério é psicólogo comportamental contextual (CRP 06/134435). Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Realiza atendimento clínico para adolescentes e adultos. Está localizado no bairro da Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Metrô Trianon Masp. Possui interesse em música brasileira, poesia, literatura, cinema e tecnologia. Contatos: E-mail: alex@minutoterapia.com Fanpage: facebook.com/ominutoterapia Insta: @minutoterapia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: